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A DIALÉTICA DO MACARRÃO

 
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lenyrarique



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MensagemEnviada: Seg 09 24, 2007 12:32 am    Assunto: A DIALÉTICA DO MACARRÃO Responder com citação
Pensemos nos inúmeros lugares onde acontecem os processos de trabalho responsáveis pelo produto final macarrão, que como qualquer outra mercadoria tem um preço de mercado e nós o pagamos para desfrutarmos da sua utilização.
O macarrão nosso de cada dia, ou não, é um alimento energético e associado a outros gêneros comestíveis nos dão a força que precisamos no nosso cotidiano de trabalho, estudo e lazer. Imediatamente o macarrão é só isso: uma massa com uma forma própria que tem um sabor e uma preferência para cada um de nós. Estudemos, então, o macarrão na premissa da mobilidade dos lugares, cujo eixo é o trabalho: quando ingerimos o macarrão estamos trazendo para dentro de nós os inúmeros lugares pelos quais o macarrão passou e todos os outros lugares em que a sua matéria prima foi conseguida ou criada, senão vejamos: o supermercado, a feira, o empório, a mercearia, ou outro lugar qualquer em que ele foi comprado e todo o trabalho desprendido na sua circulação. Vamos, agora, a uma empiria mais distante - o lugar da farinha de trigo. Ela não nasceu farinha de trigo. Para entendermos a sua criação-produção temos que nos distanciar mais ainda - o lugar do trigo. Ele não nos é dado pela natureza e sim cultivado pelo trabalho. Assim sendo, a farinha de trigo contém nela mesma, por traz da sua empiria simples, os momentos e as relações de cada trabalhador responsável pelo seu resultado - farinha. Essas relações podem ser de troca desigual ou não - quando o cultivo vem de uma agricualtura familiar mercantil simples, em que não há atravessadores capitalistas, o que é difícil de ser pensado, já que tráta-se de um produto comercial de escala mediana, em que, mesmo os minúsculos produtores, fornecem o trigo para produtores de maior porte, que o comercializa à outras instâncias, havendo aí, portanto, uma relação de dominação - As relações de trabalho na agricultura comercial sempre têm um veio de exploração, mesmo que o cultivo se realize em terras de pequenos produtores e eles não transportem e nem negociem diretamente sua mercadoria, barganhando o preço com os compradores. Se eles se submetem ao atravessador pelas contingências da produção e da comercialização, estão num processo particular de alienação da força de trabalho e sua terra - em que ele plantou, tratou e colheu o trigo - não é terra de trabalho para si e sua família e sim terra de trabalho para outro(s), para terceiro(s), por isso, sua terra configúra-se como terra de trabalho alienado. Se a relação de trabalho do cultivo do trigo for de assalariamento declarado, relação capital X trabalho, a exploração é clara.
Pensemos nas relações que se seguem às, até agora, abordadas por nós, que vão da seleção dos grãos até a sua transformação,por meio de processos de trabalhos diversos, em inúmeros momentos da indústrias de transformação até o resultado final - produto farinha de trigo. Os lugares dos inúmeros processos de tragalho estão materializados na farinha. As energias físicas e psicológicas de cada um daqueles que manuseou o produto, também estáo materializados nele. A farinha de trigo é uma síntese de lugares e de resultados de trabalho materializados nela.
Agora, é só trasladarmos esse raciocínio para o macarrão: êle é a materialidade dialética de inúmeros contrários aqui relatados. Materialidade de lugares, energias, fração de vida de pessoas com suas emoções alegres ou tristes, suas aspirações, e por aí vai. Segundo esse raciocínio nós não temos capacidade de colocarmos ponto final algum.
Esse é um rápido exercício subordinado ao método Empírico Processual Reflexivo.
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