lenyrarique

Registrado: 20/07/07 Mensagens: 19 Localização: Natal RN
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Enviada: Seg 09 24, 2007 12:32 am Assunto: A DIALÉTICA DO MACARRÃO |
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Pensemos nos inúmeros lugares onde acontecem os processos de trabalho responsáveis pelo produto final macarrão, que como qualquer outra mercadoria tem um preço de mercado e nós o pagamos para desfrutarmos da sua utilização.
O macarrão nosso de cada dia, ou não, é um alimento energético e associado a outros gêneros comestíveis nos dão a força que precisamos no nosso cotidiano de trabalho, estudo e lazer. Imediatamente o macarrão é só isso: uma massa com uma forma própria que tem um sabor e uma preferência para cada um de nós. Estudemos, então, o macarrão na premissa da mobilidade dos lugares, cujo eixo é o trabalho: quando ingerimos o macarrão estamos trazendo para dentro de nós os inúmeros lugares pelos quais o macarrão passou e todos os outros lugares em que a sua matéria prima foi conseguida ou criada, senão vejamos: o supermercado, a feira, o empório, a mercearia, ou outro lugar qualquer em que ele foi comprado e todo o trabalho desprendido na sua circulação. Vamos, agora, a uma empiria mais distante - o lugar da farinha de trigo. Ela não nasceu farinha de trigo. Para entendermos a sua criação-produção temos que nos distanciar mais ainda - o lugar do trigo. Ele não nos é dado pela natureza e sim cultivado pelo trabalho. Assim sendo, a farinha de trigo contém nela mesma, por traz da sua empiria simples, os momentos e as relações de cada trabalhador responsável pelo seu resultado - farinha. Essas relações podem ser de troca desigual ou não - quando o cultivo vem de uma agricualtura familiar mercantil simples, em que não há atravessadores capitalistas, o que é difícil de ser pensado, já que tráta-se de um produto comercial de escala mediana, em que, mesmo os minúsculos produtores, fornecem o trigo para produtores de maior porte, que o comercializa à outras instâncias, havendo aí, portanto, uma relação de dominação - As relações de trabalho na agricultura comercial sempre têm um veio de exploração, mesmo que o cultivo se realize em terras de pequenos produtores e eles não transportem e nem negociem diretamente sua mercadoria, barganhando o preço com os compradores. Se eles se submetem ao atravessador pelas contingências da produção e da comercialização, estão num processo particular de alienação da força de trabalho e sua terra - em que ele plantou, tratou e colheu o trigo - não é terra de trabalho para si e sua família e sim terra de trabalho para outro(s), para terceiro(s), por isso, sua terra configúra-se como terra de trabalho alienado. Se a relação de trabalho do cultivo do trigo for de assalariamento declarado, relação capital X trabalho, a exploração é clara.
Pensemos nas relações que se seguem às, até agora, abordadas por nós, que vão da seleção dos grãos até a sua transformação,por meio de processos de trabalhos diversos, em inúmeros momentos da indústrias de transformação até o resultado final - produto farinha de trigo. Os lugares dos inúmeros processos de tragalho estão materializados na farinha. As energias físicas e psicológicas de cada um daqueles que manuseou o produto, também estáo materializados nele. A farinha de trigo é uma síntese de lugares e de resultados de trabalho materializados nela.
Agora, é só trasladarmos esse raciocínio para o macarrão: êle é a materialidade dialética de inúmeros contrários aqui relatados. Materialidade de lugares, energias, fração de vida de pessoas com suas emoções alegres ou tristes, suas aspirações, e por aí vai. Segundo esse raciocínio nós não temos capacidade de colocarmos ponto final algum.
Esse é um rápido exercício subordinado ao método Empírico Processual Reflexivo. |
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